Maturidade digital: entenda o que é e como avaliar na sua empresa

Quando se fala em maturidade digital, muitas pessoas ainda acreditam que, no âmbito corporativo, essa expressão seja um sinônimo de digitalização de processos, o que não é exatamente verdade.

A organização pode digitalizar documentos e armazenar informações na nuvem sem que tenha alcançado um nível maduro de inovação empresarial, uma vez que isso depende do quanto a tecnologia se integra aos processos do negócio para aumentar a eficiência da gestão.

Nesse cenário, apenas negócios que já utilizam os recursos tecnológicos a favor da redução de falhas operacionais e da adoção de uma postura competitiva frente às mudanças de mercado é que estão no nível mais pleno de maturidade digital.

Por isso, hoje vamos falar sobre o que significa esse conceito na prática, quais são os seus principais pilares e como avaliar o estágio de evolução da sua empresa. Confira!

O que é maturidade digital?

É definida pelo grau de integração que as ferramentas tecnológicas têm com o dia a dia da empresa, sendo “madura” a operação que utiliza os seus sistemas de forma conectada, compartilhando informações entre diferentes áreas com agilidade.

A partir desse entendimento, possuir diversos softwares não significa alcançar esse estágio, já que se essas soluções não se comunicam entre si, os processos permanecem fragmentados e as equipes continuam dependentes de controles paralelos.

Para ilustrar a diferença, pense em uma empresa que utiliza um ERP para gerenciar as vendas, um sistema separado para controlar o estoque e planilhas para acompanhar indicadores financeiros.

Nessa situação, os dados não são combinados automaticamente e os colaboradores precisam fazer atualizações manuais nas plataformas, o que exemplifica o uso ineficiente da tecnologia, já que aumenta o retrabalho e com isso, as chances de erros.

Logo, o que determina um bom indicador de maturidade digital é a forma como os recursos usados contribuem para tornar a rotina da operação mais ágil e integrada, permitindo que a companhia se beneficie de todo o potencial das soluções que adota.

 

Qual é a diferença entre digitalização, transformação digital e maturidade digital?

Ainda que esses conceitos estejam relacionados, a digitalização e a transformação são etapas do amadurecimento digital que, quando combinadas, caracterizam o estágio da inovação no contexto corporativo.

Nessa perspectiva, a digitalização consiste na substituição de atividades analógicas por recursos digitais, como deixar de utilizar agendas de papel para registrar informações em um calendário digital compartilhado.

Já a transformação digital é caracterizada pelo uso de recursos que mudam a forma como a empresa conduz as suas operações, a exemplo da modernização da gestão de ativos, que utiliza softwares especializados para ampliar o controle sobre os bens.

Assim, a forma como essas iniciativas são incorporadas à rotina da organização é o que permite avaliar a maturidade digital, analisando o quanto o negócio converte a implementação de novas soluções em ganhos para o seu desenvolvimento.

 

Por que avaliar a maturidade digital da empresa?

É por meio dessa avaliação que a empresa mede como a tecnologia contribui para a redução das atividades manuais e para o fomentar do direcionamento das equipes para ações de maior valor agregado, ao invés das demandas burocráticas.

Diante desse diagnóstico, pode-se identificar quais são os sistemas que à primeira vista parecem “inovadores”, mas que na prática dependem da intervenção recorrente das equipes e não agilizam a coleta de informações para as decisões empresariais.

Além disso, conhecer o estágio de maturidade facilita a definição de prioridades de investimento, porque indica para a companhia qual é o ponto que uma ferramenta tecnológica deve atender para mitigar o gargalo atual.

Portanto, avaliar a maturidade digital permite que a empresa compreenda a sua capacidade de utilizar a tecnologia para integrar processos e que identifique oportunidades de otimizar tarefas que podem fortalecer a sua competitividade.

 

Quais são os principais pilares da maturidade digital?

Além da forma como as soluções são empregadas, a avaliação da inovação empresarial também deve considerar aspectos da gestão e da organização das equipes. Por isso, é preciso observar os pilares que definem a maturidade digital:

● Capacitação das equipes e atuação da liderança

A tecnologia produz melhores resultados quando as pessoas sabem utilizá-la de forma adequada e contam com o apoio da liderança para incorporar as novas formas de trabalho.

Por isso, é preciso estimular a aprendizagem dos colaboradores, incentivando-os ao uso das novas ferramentas para fortalecer a cultura digital e reduzir a resistência às mudanças.

Nesse entendimento, cabe aos líderes inserir a evolução tecnológica no planejamento da empresa, direcionando investimentos em novas soluções e acompanhando a geração de resultados.

● Padronização dos processos

Antes de automatizar as atividades, os processos devem estar bem definidos. Por exemplo, como o setor financeiro será informado de uma venda realizada pelo time comercial?

Embora pareça uma pergunta simples, a resposta estabelece o fluxo que orienta a rotina do negócio e, com essa definição, a automação é implementada de forma eficiente, contribuindo para o aumento da qualidade das operações.

● Integração de sistemas

Como já mencionamos, o principal sinal de maturidade digital é a capacidade de conectar as diferentes soluções utilizadas pela empresa.

Sempre que as informações se integram automaticamente, é reduzida a necessidade de lançamentos duplicados, o que assegura a confiabilidade dos dados e melhora a comunicação entre as áreas.

● Qualidade dos registros

Uma decisão estratégica é feita a partir de informações consistentes, que demonstram como a execução planejada fomentará o crescimento sustentável da empresa.

Por isso, organizações mais maduras investem na atualização e validação contínua dos dados, já que isso evita situações em que áreas diferentes trabalham com versões distintas da mesma informação, comprometendo análises financeiras.

● Segurança da informação

A proteção do histórico que a empresa compartilha na web é um pilar importante da maturidade digital, já que é essencial proteger as informações sensíveis do negócio ao passo que cresce o uso da tecnologia.

Para isso, junto da integração dos sistemas, a governança do negócio deve atentar-se ao controle de acessos e à definição de responsabilidades de sigilo, com vistas a preservar a integridade dos dados e reduzir os riscos operacionais.

 

Como avaliar a maturidade digital da sua empresa?

Para fazer esse diagnóstico, é importante compreender como as soluções tecnológicas que a sua equipe utiliza contribuem para os objetivos de crescimento do negócio. Nessa avaliação, considere as seguintes etapas como ponto de partida:

  1. Mapeie os principais fluxos de trabalho – veja como as atividades são executadas, quais áreas participam e onde costumam ocorrer atrasos e retrabalhos.
  2. Liste os sistemas utilizados por cada área – busque visualizar possíveis sobreposições de soluções e identificar recursos pouco aproveitados.
  3. Avalie o nível de integração entre os departamentos –  verifique se as informações circulam automaticamente ou se dependem de lançamentos manuais.
  4. Analise a confiabilidade dos dados – considere se as informações estão atualizadas e facilmente acessíveis para quem precisa utilizá-las.
  5. Converse com gestores e colaboradores –  as equipes que executam os processos diariamente são as melhores informantes para identificar gargalos.
  6. Atribua notas considerando os pilares da maturidade digital – avalie aspectos como integração, proteção de dados e proximidade da liderança para identificar os pontos mais frágeis e definir as prioridades de evolução.

Quais são os níveis de maturidade digital?

Para atingir a maturidade do uso da tecnologia, as companhias passam por um período gradual de evolução e estruturação da operação orientada pela conexão dos dados. Assim, mesmo que não exista uma forma única de classificar, é comum que o progresso seja dividido em cinco níveis:

1. Inicial

No começo, predominam os processos manuais e as informações dispersas em planilhas e, de forma tímida, algumas áreas passam a mostrar insatisfação com a rotina que dificulta o compartilhamento de informações e eleva os retrabalhos.

Logo, de forma independente, os setores passam a buscar por ferramentas que possam automatizar as suas tarefas.

2. Digitalização pontual

Em seguida, pensando em atender as demandas apresentadas, a empresa adota ferramentas para resolver necessidades específicas, como um sistema que realiza os cálculos do setor financeiro.

Apesar desse avanço, a solução ainda funciona de maneira isolada e exige lançamentos repetidos, a exemplo de um novo contrato, que precisará ser manualmente cadastrado no faturamento.

3. Integração de processos

Seguindo a inovação empresarial, as equipes percebem que sistemas que compartilham informações entre diferentes departamentos em poucos cliques é que realmente tornam as suas tarefas mais eficientes.

Desse modo, a liderança decide investir em uma solução de ERP capaz de conectar no mesmo ambiente dados de contratos, finanças e vendas. Com isso, a comunicação entre as áreas passa a ocorrer automaticamente.

4. Gestão orientada por dados

Nesse nível, as decisões dos gestores passam a ser apoiadas por indicadores que estão sempre atualizados e que, no sistema, são validados de forma instantânea entre diferentes áreas para eliminar duplicidades.

Assim, é possível aproveitar oportunidades, como acontece na centralização dos dados fiscais com os patrimoniais, que permite o acesso a relatórios que oferecem visibilidade sobre quais são os créditos passíveis de recuperação.

5. Otimização contínua

No último estágio, quando já atingida a maturidade digital, o negócio tem a tecnologia conectada à gestão, de modo que os processos são revisados continuamente para identificar novas oportunidades de automação.

Logo, a empresa mantém uma postura proativa frente às mudanças do mercado, sendo capaz de adaptar-se rapidamente a novos modos de operar, graças à sua forte cultura de inovação.

Quais perguntas ajudam a medir a maturidade digital de uma empresa?

Considerando os principais aspectos sobre os quais a evolução tecnológica pode ser avaliada, recomendamos que a sua equipe repasse esse checklist que pode ajudar a identificar sinais do nível de maturidade digital da organização:

Sobre a eficiência operacional:

  • Os principais processos da empresa estão documentados e padronizados?
  • Existem atividades repetitivas que poderiam ser automatizadas?
  • A organização consegue reduzir tarefas manuais por meio da tecnologia?

Sobre a conectividade e o uso de dados:

  • Os sistemas utilizados pelas diferentes áreas estão integrados?
  • As informações estão atualizadas e acessíveis para quem precisa delas?
  • Os gestores conseguem tomar decisões com base em dados confiáveis?

Sobre a cultura digital e a capacitação da equipe:

  • Os colaboradores recebem treinamento para utilizar adequadamente as tecnologias adotadas?
  • Existe incentivo para a adoção de novas ferramentas e para a melhoria dos processos?
  • A liderança participa ativamente das iniciativas de transformação digital?

Sobre o plano de investimentos:

  • Os investimentos em tecnologia estão alinhados aos objetivos do negócio?
  • A empresa avalia os resultados gerados pelas soluções digitais implementadas?
  • As tecnologias adotadas contribuem para melhorar a experiência de clientes, colaboradores e parceiros?

Quanto mais respostas positivas a empresa tiver, maior tende a ser seu nível de maturidade digital, enquanto respostas negativas ajudam a identificar gargalos que podem limitar a eficiência operacional do negócio.

Qual é o papel dos sistemas de gestão na maturidade digital?

Os sistemas de gestão, conhecidos como ERPs, exercem um papel importante na maturidade digital porque ajudam a reunir informações em um ambiente integrado, reduzindo a fragmentação dos dados e facilitando o acompanhamento das operações.

Na prática, quando setores da gestão contábil, fiscal e de contratos compartilham informações automaticamente, torna-se mais fácil acompanhar o desempenho da empresa e identificar quais são as áreas que carecem de maior investimento.

Além disso, o ERP contribui para a padronização de processos, uma vez que centraliza os registros e otimiza tarefas burocráticas, fazendo com que os gestores garantam a eficiência da rotina operacional e tenham acesso a relatórios atualizados.

Ainda assim, é essencial destacar que a tecnologia por si só não garante o sucesso do negócio, já que os seus resultados só se concretizam quando a solução escolhida está alinhada à estratégia da organização e é utilizada por uma equipe preparada para aproveitar todo o seu potencial.

Para seguir se aprofundando no tema, confira o conteúdo “Transformação digital e ERP: o papel da tecnologia na competitividade das empresas brasileiras” e veja como os sistemas integrados de gestão ampliam a vantagem competitiva nos negócios.

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