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Na dúvida, consumidor segura gastos

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra: em agosto, a confiança do consumidor brasileiro se manteve mais uma vez estável em patamar baixo, e fechou o mês em 141 pontos, ante 144 em julho, conforme revela o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Há um ano, o indicador ficou em 139, flutuou pouco e vem se mantendo na casa dos 140 pontos, em média. Nos anos anteriores, a média flutuava na casa dos 160 pontos. “Isso se deve à cautela do consumidor, ao combate a inflação por meio de alta dos juros, e por causa da desaceleração do crédito e da queda da confiança empresarial. Tudo isso comprova a estagnação da atividade econômica, e o INC acompanha esse cenário”, afirma Rogério Amato, presidente da ACSP, da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de SP) e presidente-interino da CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil).

O INC varia entre 0 e 200 pontos, sendo que 200 representa o otimismo máximo. A pesquisa, encomendada pela ACSP ao Instituto Ipsos, foi feita entre 18/8 e 28/8 em todas as regiões brasileiras.

No recorte por região, o INC de agosto revela que as regiões Nordeste e Sudeste foram as menos otimistas no período em razão provavelmente da estiagem, que prejudica o agronegócio. No Nordeste, a confiança ficou em 131 pontos, quatro a menos do que em julho. No Sudeste, o INC marcou 131 pontos em agosto, ante 134 no mês anterior. Por outro lado, o próprio agronegócio continua a deixar em patamar alto a confiança de quem mora no Sul (178 pontos ante 168 em julho) e no Norte/Centro Oeste (177 ante 189).

Já nas capitais, a confiança ficou estável, com 140 pontos em agosto, e 139 em julho. Também verificou-se estabilidade no interior, com INC de 146 pontos tanto em agosto quanto em julho. Mas, nas regiões metropolitanas, a estiagem e o contingenciamento de água – principalmente no Sudeste – derrubou a confiança e o INC marcou 129 pontos no oitavo mês do ano. Em julho, eram 146.

Na análise por classe social, a confiança convergiu para a média nacional, de cerca de 140 pontos. Nas classes A/B, o INC foi de 138 pontos em agosto, ante 130 em julho. Na contramão, houve uma queda na confiança das classes C (140 ante 149) e D/E (138 ante 130) – causadas provavelmente pelo endividamento do consumidor e pela falta de espaço para consumir. “Não cabe mais prestação no orçamento”, completa Amato.

Bom, mas nem tanto – Uma boa notícia do índice em agosto diz respeito ao emprego: caiu o número de pessoas conhecidas dos entrevistados que ficaram desempregadas. Em agosto, a média foi 3,05 pessoas, ante 3,80 em julho, 4,31 em junho e 3,75 há um ano. Porém, Amato faz uma ressalva. “Apesar de o consumidor revelar maior otimismo em relação ao emprego, essa melhoria não se reflete ainda num aumento da intenção de compra de bens duráveis”, destaca.

Os dados do indicador apontam, inclusive, queda na intenção de compras: em razão do crédito escasso, em agosto, 38% das pessoas ouvidas pelo Instituto Ipsos se disseram favoráveis à compra de eletrodomésticos, ante 36% em julho e 45% há um ano.

No caso de bens de maior valor – como casas e automóveis – a queda foi ainda maior. Em agosto, 43% dos entrevistados estavam menos à vontade para esse tipo de compra, e 30% estavam mais à vontade. Em julho, esses números eram de 38% e 29%, respectivamente. Há um ano (agosto de 2013), eram de 40% e 31%.

Segundo Amato, esse cenário é agravado no caso de bens de maior valor, por ser influenciado pelo fator econômico e pela incerteza política. “Além do problema do orçamento apertado, o consumidor não sabe quais diretrizes macroeconômicas o próximo presidente vai adotar”, finaliza.

Inadimplência recua em agosto

A inadimplência do consumidor caiu 2,8% em agosto ante julho, mas subiu 1,5% na comparação com agosto do ano passado, de acordo com dados nacionais da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) divulgados ontem. Com o resultado, os registros de inadimplência acumulam altas de 2,5% até agosto deste ano, em relação aos oito primeiros meses de 2013, e de 2,2% em 12 meses, quando comparada aos 12 meses anteriores. O valor médio real das dívidas incluídas em agosto foi de R$ 1.061,76, após ajustes estatísticos.

Na análise regional, houve uma redução generalizada da inadimplência em todas as regiões do Brasil na passagem de julho para agosto. O maior recuo ocorreu no Nordeste (-3,2%) e Sudeste (-3,1%). Nas demais regiões, os resultados foram: -2,7% no Centro-Oeste; -1,5% no Sul; e -0,2% no Norte. Analisado apenas o varejo, todas as regiões também apresentaram queda na variação mensal, com destaque para Centro-Oeste (-5,5%) e Norte (-2,8%). Já no acumulado do ano, todas as cinco regiões do País registram aumento da inadimplência geral.

Economistas da Boa Vista SCPC avaliam que a expectativa é de que, até o fim do ano, haja poucas oscilações nas variáveis condicionantes na economia para inadimplência. Segundo previsão de analistas, a maior seletividade das empresas que concedem crédito, o desaquecimento no mercado de trabalho e as taxas de juros devem permanecer em níveis próximos aos atuais. Diante disso, a instituição projeta que o número de registro de consumidores inadimplentes deve fechar 2014 com crescimento em torno de 2,5%.

Fonte: www.dcomercio.com.br – 10/09/14