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Gestor da área tributária enfrenta dilema

Estudo KPMG aponta que gestores da área tributária enfrentam um difícil dilema: como assegurar o compliance ao mesmo tempo em que atendem novas demandas

Pesquisa mostra que enquanto os departamentos tributários estão focados em administrar o sempre crescente ônus relacionado ao compliance, outras áreas importantes podem estar sendo prejudicadas.

A pesquisa global da KPMG International “Bom, Melhor, Melhor Ainda – A corrida para definir padrões na gestão global de tributos” (do original em inglês, Good, Better, Best – The race to set standards in global tax management), levantamento global feito com 1.150 executivos da área tributária de 22 países, incluindo o Brasil, mostrou que eles estão dedicando cerca de metade de seu tempo ao cumprimento de obrigações relacionadas a declarações fiscais, emissão de relatórios financeiros e gestão de auditorias fiscais. Estima-se que outras atividades mais estratégicas e que geram maior valor às companhias – tais como otimização das taxas efetivas, planejamento tributário de caixa, aprimoramento de processos e integração com outras áreas da empresa -, ocupam apenas um terço do tempo dos departamentos tributários.

Felizmente, 93% dos entrevistados têm uma estratégia tributária que se alinha com a do negócio (um aumento de nove pontos percentuais em relação aos 84% do levantamento de 2009), e 75% dessas estratégias são aprovadas pelo pela alta administração (um aumento de 27 pontos percentuais em relação aos 48% de 2009). Para 73% dos entrevistados, a alta administração está diretamente envolvida no direcionamento da estratégia tributária – um aumento significativo desde 2009 (51%).

No entanto, dois terços dos entrevistados dizem que estão atualmente envolvidos em disputas com o fisco; e metade deles relata que as autoridades fiscais estão dando maior enfoque a processos e controles contábeis e fiscais, estratégia tributária, gestão de risco e uso de tecnologia.

“Com as abordagens de gestão tributária exigindo novos níveis de detalhamento e transparência, as empresas devem reavaliar onde estão aplicando seu tempo, esforços e dinheiro”, diz Chris Scott, Chefe Global de Compliance Management Services da KPMG. “Tendo em vista os desafios à frente, a situação atual é boa o suficiente? Boa governança inclui uma estrutura fiscal com ferramentas e pessoas adequadas alinhadas à estratégia geral do negócio.”

“No Brasil, com a adoção de sistemas eletrônicos de gestão e de fiscalização das informações contábeis e tributárias – como a nota fiscal eletrônica (NF-e), o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) Contábil e Fiscal e as diversas declarações eletrônicas, como DIPJ, DCTF, PERDCOMP, DIRF, DACON, dentre inúmeras outras -, os gestores dos departamentos tributários das empresas têm sido desafiados a adotar e a desenvolver novos padrões de trabalho para garantir a acuidade dos dados transmitidos diretamente, via on-line, aos fiscos”, afirma Carlos Sefrin, sócio da área de Tax da KPMG no Brasil.

Apesar do crescente ônus relacionado ao compliance tributário e do enfoque mais detalhado das autoridades fiscais, investimentos em pessoal, aprimoramento de processos e tecnologia para ajudar a gerenciar a carga de trabalho não são mandatórios – surpreendentemente, 79% dos entrevistados têm a opinião de que possuem orçamentos operacionais e administrativos suficientes, e somente 19% deles dizem que estão procurando mudar a estrutura de seu departamento tributário em um futuro próximo.

“Com os departamentos tributários ainda dedicando grande parte de seu tempo ao compliance tributário, o desafio está em como liberar recursos e tempo para se concentrarem em uma agenda mais estratégica, que dê apoio proativo à estratégia geral de negócio e às tendências emergentes,” afirma Scott.

Brasil

Dentre os 1.150 executivos de Departamentos Tributários de 22 países entrevistados, cinquenta eram do Brasil. Com um recorte da pesquisa apenas com esses respondentes, obtemos os seguintes dados:

100% dos entrevistados afirmaram que a estratégia do Departamento Tributário está alinhada com a estratégia de negócio da empresa;

88% disseram que sua Diretoria ou Alta Administração forneceu orientações para o desenvolvimento da estratégia;

74% estão envolvidos em algum tipo de disputa fiscal;

92% dos Departamentos Tributários de empresas localizadas no Brasil estão planejando ou realizando melhorias relacionadas a processos;

32% dizem que a liderança financeira dirige a padronização global de processos fiscais “persistentemente”, em comparação com um percentual global de 15%;

40% terceirizam (via outsourcing ou co-sourcing) atividades do Departamento Tributário, em comparação com um percentual global de 34%;

46% é o tempo que se espera que os Departamentos Tributários no Brasil dediquem ao compliance tributário, à emissão de relatórios, à gestão de auditorias, por parte das Autoridades Fiscais, e à gestão do risco fiscal nos próximos 12 meses;

28% do tempo seria dedicado à integração com o negócio, à otimização da taxa efetiva e ao planejamento tributário de caixa/diferimento;

E 64% esperam que seus Departamentos Tributários sejam reestruturados em um futuro próximo, em comparação com 19% globalmente. Entre as mudanças, 97% relatam que pretendem melhorar o alinhamento dos Departamentos Tributários com o negócio.

Fonte: Portal Maxpress