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Dicas para reduzir custos em tempos de crise

Se existe um lado bom numa crise, é que ela nos obriga a rever processos que não estão funcionando muito bem. O lembrete veio de Gilberto Peralta, presidente da GE Brasil, na reunião anual da WECP (World Energy Cities Partnership 2015), que acaba de ser realizada no Rio de Janeiro.

A pauta do evento não podia ignorar os problemas enfrentados pelo setor de óleo e gás, presentes no mundo inteiro. “Apesar de todos os problemas, acredito que existe uma enorme oportunidade em médio e longo prazo, pois há muito espaço para melhoria em aspectos como logística, produção etc. E já estamos fazendo isso. Quando você está num processo acelerado de produção, não tem muito tempo para olhar para essas coisas. E agora temos como avaliar esses problemas e aperfeiçoá-los”, disse Peralta, no painel que reuniu representantes da Schlumberger, da Shell e da Statoil.

Em sintonia com o recado do presidente da GE, o engenheiro Stephan Vignet, presidente da Schlumberger Brasil, apresentou cinco medidas que as empresas podem adotar agora, para reduzir gastos sem perder a qualidade.

1 – INTEGRAÇÃO

Vignet lembra que, vinte anos atrás, quando trabalhava como engenheiro na Venezuela, era relativamente fácil justificar uma falha lançando a responsabilidade para outro setor da empresa – ora a culpada era a broca que vibrava demais, ora o problema devia-se a características do solo. Mas esse tipo de abordagem não funciona mais.

Ele percebeu isso quando, em 2010, a Schlumberger adquiriu uma de suas maiores rivais, a Smith International. E uma das principais questões envolvendo a negociação era a seguinte: como aproveitar essa união para melhorar o desempenho de ambas, fazendo com que o resultado de 1+ 1 fosse maior do que 2? “Criamos um centro, e colocamos todos os engenheiros, de diversas áreas, juntos numa sala para discutir e criar fluxos de trabalho. Precisávamos descobrir como funcionar juntos”, lembra Vignet, dizendo-se orgulhoso do resultado. A estratégia ganha ainda mais ênfase agora, com a aquisição da Cameron pela Schlumberger – negócio anunciado em agosto deste ano. “Integração é vital para que as empresas consigam reduzir custos ao mesmo tempo em que mantêm a qualidade”, disse o executivo.

2 – EFICIÊNCIA

Ao comparar a situação atual com a de vinte anos atrás, Vignet observa outra coisa: as equipes de engenharia nos campos de petróleo continuam, basicamente, com o mesmo tamanho e composição, muito embora tenha ocorrido uma mudança incrível no que se refere ao suporte técnico. Tarefas que, no passado, exigiam três tipos de ferramenta, por exemplo, hoje podem ser feitas por uma só. Da mesma forma, os softwares disponíveis são muito melhores. Mas o modelo contratual não foi alterado. “Existem alguns locais, como no México, onde isso mudou. Temos muito menos gente, e as operações são consolidadas por meio de uma comunicação mais eficaz entre as pessoas”, diz o presidente da Schlumberger Brasil. Para ele, mudanças na formação e gerenciamento das equipes pode ser uma boa forma de evitar sobrecusto.

3 – NOVAS TECNOLOGIAS

Em tempos de crise, é comum que as empresas, preocupadas em reduzir gastos, saiam em busca de soluções ou equipamentos mais baratos. O problema, afirma Vignet, ocorre quando esse movimento leva em conta apenas o preço de A ou B, sem que se tenha o cuidado de avaliar o custo total envolvido em cada decisão. Afinal, existe o risco de que a saída mais “econômica” não se mostre tão vantajosa assim com o passar do tempo. Em longo prazo, o que efetivamente leva à redução de custos é o investimento em inovação. “Basta lembrarmos como a tecnologia já nos ajuda a poupar tempo em inúmeras tarefas”, comenta o presidente da Schlumberger.

4 – PADRONIZAÇÃO

Para abordar este tópico, o engenheiro buscou inspiração em outra indústria: a da aviação. Mais especificamente, nas companhias aéreas de baixo custo. Presentes principalmente na Europa, onde se popularizaram a partir da década de 1990, essas empresas revolucionaram o setor, oferecendo tarifas muito mais baixas do que as cobradas pelas companhias tradicionais. Qual o segredo delas? Segundo Vignet, grande parte desse sucesso se deve a um fator: padronização. Essas empresas costumam operar apenas um tipo de aeronave, o que simplifica o treinamento da equipe, os processos de manutenção etc. “Nos campos de extração de petróleo, não somos padronizados. Tudo varia muito ao redor do mundo, e os equipamentos são diferentes. É importante termos um sistema comum, para sabermos o que encontrar na Califórnia ou qualquer outro lugar”, defende o presidente da Schlumberger, antes de reforçar o recado: “A padronização dos sistemas permite reduzir os custos na indústria”.

5 – CONFIABILIDADE

Mesmo em um cenário de crise, é preciso dar continuidade aos esforços para aumentar a confiabilidade do setor, afirma Vignet, citando a metodologia Seis Sigma. Desenvolvida pela Motorola, em 1986, a ferramenta foi popularizada por Jack Welch em 1995, quando era presidente mundial da GE. Hoje, a Seis Sigma é amplamente utilizada para “diagnosticar” problemas de desempenho numa empresa.

A escala vai de 1 (quando o índice de acerto é de 30%) a 6 (99,99966% de acerto). Ou seja, em uma empresa que chegou ao nível 6, a expectativa é que ocorram apenas 3 erros ou defeitos a cada um milhão de oportunidades. “Em nossa indústria, hoje, estamos entre 4 e 5 sigma”, diz Vignet. “Estamos implementando um grande programa de transformação com o objetivo de chegar a 5 sigma, que é basicamente o nível da indústria automobilística”. Segundo ele, se o setor avançar nas cinco áreas citadas acima – integração, eficiência, inovação, padronização e confiabilidade –, tem grandes chances de reduzir o custo da produção de cada barril. Assim, mesmo que ele seja comercializado por um preço mais baixo, ainda seria possível preservar a lucratividade das empresas.

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Fonte: epocanegocios.globo.com

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