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ERP preditivo, a próxima onda na evolução do software

ERP preditivo, a próxima onda na evolução do software

O software de gestão começa a absorver a demanda por business intelligence e software de planejamento

Imagine um ambiente com todos os dispositivos conectados à internet. E mais: que, integrados, esses equipamentos possam interpretar suas preferências com base no passado e recomendar produtos ou marcas similares às suas escolhas ou próximas ao seu inventário de compras. Se você comprou leite, o sistema pode lhe sugerir a mesma marca ou tentar substitui-la caso não tenha o produto em estoque.

Esse é o princípio que está sendo adotado pelo varejo inteligente, como o aplicado pela Amazon, Wal-Mart, Targer, Indigo, Barnes and Nobel, entre outros. Quase todos os e-commerces sugerem produtos adicionais à compra na parte inferior da página. Você já deve ter notado “Clientes que compraram este produto também compraram este produto…” e várias sugestões são feitas.

A oferta cruzada de produtos é um intrincado conjunto de processos de negócio, capacidades de software, e de agregação de dados e web design. Um conjunto de recursos batizado de BI preditivo, segundo a consultoria Eval-Source.

Isso mostra que o ambiente de TI corporativo está próximo a quebrar mais um paradigma, passando a uma nova fase de maturidade dos software de business intelligence, o o Business Performance Management que, segundo a consultoria, traduz esta evolução ao indicar que o próximo passo depende apenas de uma alimentação correta dos aplicativos. São “sistemas inteligentes” que “aprendem” com o passado para prever o futuro. O ambiente pode ser comparado aos software de inteligência artificial, onde se aprende com a repetição e com o desempenho do passado.

Agora imagine os sistemas “Smart ERP” fazendo projeções proativas com base em condições definidas por você. E se esses sistemas começassem a prever processos de negócios seguidos de alertas modelados a partir de fluxos de trabalho existentes?

Fazendo cálculo de probabilidade, risco operacional, comparando alertas e acionando profissionais para fluxos de trabalho existentes / processos e até mesmo comparando e calculando níveis de estoque, com um tempo extra para tarefas predefinidas. A ideia desse novo cenário é que as tecnologias de SOA, de integração, colaboração e as métricas de desempenho de negócio trabalhem uníssono para dar agilidade ao ERP.

Para a Eval-Source, o ERP Preditivo, a próxima onda na evolução do software, vai absorver a demanda atual de business intelligence e de software de planejamento. O termo se refere ao sistema que calcula e prevê comportamentos repetitivos, que imitam condições e processos de negócios existentes.

“Estamos falando sobre um ERP mais analítico. Espera-se que analytics seja parte da solução de finanças aplicada na avaliação da performance e do crescimento do negócio”, diz Charles Eschinger, vice presidente de pesquisas do Gartner.

A mudança envolve formas de sugerir a aplicação de um patch de software para criar fluxos de trabalho com alertas, gestão de eventos e emissão de sinais por parte dos supervisores. Os sistemas inteligentes devem ajudar as organizações a obter um ROI maior dos seus investimentos em tecnologia, utilizar mais funcionalidades, ganhar eficiência operacional e maximizar as margens de lucro por processo.

Outro exemplo desses sistemas são as “geladeiras inteligentes”, que se conectam à internet e o avisa para comprar pequenos itens como leite ou ovo (algo que pode ser programado pelo mínimo ou pelo máximo), envia o pedido de aprovação de compra à operadora de cartão de crédito e apenas solicita que você confirme o horário de entrega – diretamente na sua porta.

Somente nessa transação, a geladeira – que aqui ocupa o lugar de qualquer outro dispositivo da era internet das coisas – insere a corporação no conceito do big data, um ambiente com demanda natural para os sistemas de inteligência de negócio (BI).

Avanços

Especializada na avaliação de software e em consultoria estratégica, a Eval-Source acredita que big data e BI promovem grandes avanços nas empresas, mas na área operacional, onde encontram-se os ERPs, ainda há uma relativa distância dos sistemas que se autoconfiguram, apesar de os fabricantes promoverem fortes investimentos em design de interfaces e na agilidade dos negócios. “Esses sistemas já começaram a aparecer, como no varejo que adota o planejamento de reposição de estoque, mas ainda não em grande volume”, destaca a consultoria em relatório.

“Análise têm sido tradicionalmente empregada no acompanhamento e visualização do desempenho dos negócios por meio de medidas convencionais, o que pode ser resumido em olhar para o passado para obter uma fotografia do futuro”, relata a Eval-Source. Mas o Gartner acredita que este seja um passo a mais em direção a simulação e extrapolação para fornecer decisões mais assertivas.

A consultoria chama esse movimento de campo de análise avançada e o define como a análise de dados estruturados e não-estruturados, usando estatísticas descritivas e preditivas de mineração de dados, simulação e otimização, para produzir insights que ferramentas de consulta e geração de relatórios não estão preparadas para descobrir.

“É um conceito frequentemente aplicado na tomada de decisões, solução de problemas de negócios e identificação de oportunidades, porque proporciona melhores previsões, a compreensão causal, a identificação de padrões, processos e otimização de recursos, e também pode ajudar no processo de planejamento de cenários”, explica a analista do Gartner, Rita Sallam.

Pesquisa feita pela consultoria mostra que a maioria dos usuários ainda se concentra na medição do passado, com apenas 13% fazendo uso intensivo de análise preditiva. Menos de 3% usa capacidades prescritivas como decisão / modelagem matemática, simulação e otimização.

“Esta tendência está mudando. As organizações começam a manifestar interesse em aumentar o uso de estilos avançados de análise”, afirma Rita. “Isso pode ajudá-las a prever coisas como a provável reinternação de um paciente em um hospital ou a suscetibilidade de fraudes em informações”, pondera a consultora.

Novas oportunidades

Ela aconselha as organizações a desenvolverem planos de apoio aos dados novos, assim como à variedade e aos requisitos de velocidade. Por ser capaz de correlacionar, analisar e apresentar ideias de informações estruturadas e não-estruturadas, as organizações serão capazes de personalizar experiências de clientes e explorar novas oportunidades.

“Aqueles que forem capazes de fazer análises avançadas sobre big data crescerão 20% a mais do que seus pares”, afirma Rita. “A explosão do volume de dados, bem como a sua variedade e velocidade, permitirão novos e avançados casos de uso de análise, promovendo crescimento na produtividade da unidade”, pontua.

No plano do modelo comercial, a Eval-Source acredita que os ERP Preditivos serão semelhantes aos atuais, mas algumas questões ainda não estão respondidas, como a medição do ROI; o tempo que levaremos até este nível; e o avanço da tecnologia para chegar a esta nova arquitetura preditiva.

Também não se sabe se o modelo de execução será diferente do atual – se será mais difícil ou mais fácil. Estas são perguntas que organizações e vendedores precisarão responder e colaborar para tornar o ERP Preditivo uma realidade mais rápida. O BI pode inclusive ajudar na configuração.

Cereja do bolo

Na SAP, o Hana oferece “novos conceitos de análise preditiva”, diz Ricardo Carlotto, diretor de soluções analíticas da SAP Brasil. O primeiro deles é a facilidade de uso, cuja ideia é democratizar o uso da ferramenta a usuários, inclusive do ERP, que não sejam matemáticos ou estatísticos. Além disso, a própria suíte SAP Business Intelligence possui um módulo de visualização integrado à análise preditiva, que possibilita a montagem de gráficos mesmo sem a assessoria de especialistas de TI.

Disponível no mercado desde o fim do ano passado, a análise preditiva é a cereja do bolo da solução SAP, segundo o executivo.

“O BI tradicional é excepcional, mas é uma autópsia. Você passa a saber tudo sobre o cadáver: como ele morreu, quando, porque etc. Mas só dá para ver o passado. É como dirigir o carro olhando para o espelho retrovisor. Quando falamos de análise preditiva, trocamos o retrovisor pelo para-brisa e a autópsia pelo exame preventivo”, explica Carloto.

Antonio Moraes, diretor de soluções e negócios da Microsoft Brasil, concorda. “Muitas empresas poderiam prever tendências e melhor entender demandas específicas de seus clientes, além de ganhar eficiência operacional, se tivessem facilidade de manipular informações”, diz ele.

O Microsoft Dynamics Ax, segundo Moraes, possui módulos específicos de business analytics, business intelligence e reports, para que as empresas possam obter informações em tempo real e melhor gerir seus resultados.

Por JACKELINE CARVALHO

Fonte: cio.uol.com.br/tecnologia – 13 de maio de 2013

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