Aplicações sempre atualizadas: mito ou realidade? | SISPRO
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Aplicações sempre atualizadas: mito ou realidade?

Aproximação entre desenvolvimento e TI, ao lado de conceitos de Agile e Lean, são a chave para empresa lidar melhor com exigências de mudanças constantes.

O ambiente corporativo está mudando em um ritmo cada vez mais frenético e as áreas de negócios esperam que o departamento de TI adapte seus aplicativos na mesma velocidade. Como isso nem sempre é possível, não é incomum ver outras áreas adquirindo soluções sem autorização da tecnologia da informação, o que coloca em risco toda a infraestrutura da empresa. Fica a dúvida: é possível que as aplicações estejam sempre atualizadas?

Nem todos os aplicativos têm os mesmos ciclos de atualização

Antes de tudo, vamos olhar para o portfólio de aplicativos. Nem todos têm os mesmos ciclos de atualização. Alguns, na verdade, precisam não mudar. O consultor norte-americano Geoffrey Moore propôs a divisão das soluções em dois grupos: “Sistemas de Registros” e “Sistemas de Engajamento”. Adiciono o conceito de “Sistemas de Mudança”:

1. Sistemas de registro: são aqueles como o ERP (Enterprise Resource Planning), voltados para a gestão da empresa: além de finanças, estão os de manufatura, CRM (Costumer Relationship Management) e gestão de pessoas. Eles têm de ser “corretos” e “integrados” para todos os dados serem consistentes e, historicamente, foram concebidos para serem preenchidos, independentemente da escolha dos usuários. É ideal que sejam estáveis, uma vez que registram a história da empresa, e têm suas versões atualizadas somente quando necessário, o que muitas vezes ocorre uma ou duas vezes por ano. Em diversas indústrias, inclusive, passam por normas regulatórias e de certificação, o que engessa ainda mais as atualizações.

2. Sistemas de engajamento: são voltados diretamente aos funcionários para “usos envolventes” – como e-mail, sistemas de colaboração, redes sociais e soluções de aprendizagem. A necessidade de adaptar o sistema caminha conforme as transformações do mercado e de projetos, então, as atualizações são constantes. Pode-se argumentar que a ferramenta de e-mail deve ser adaptada com menos frequência do que os sistemas de colaboração, e isso provavelmente é verdade, mas, mesmo assim, há mudanças com recorrência semanal a mensal.

3. Sistemas de mudança: cada vez mais o software faz parte dos produtos e serviços disponíveis no mercado. O mundo rapidamente se torna digital e, ao longo do último ano, várias empresas fizeram experimentos em todas as áreas. Departamentos de marketing criam variações de suas interações com clientes, separando-os em grupos para identificar qual oferece os melhores resultados de negócios; e, em sua busca de apps adequados para a Internet das Coisas, departamentos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) experimentam formas de entregar experiência ao usuário. Esses são apenas alguns exemplos de como as novas tecnologias e a tendência de se tornar digital mudam a forma como as companhias fazem negócios e buscam oportunidades. A capacidade de adaptação rápida é muito importante para lidar com novos desafios e entregar ideias. Nesses casos, então, é preciso lidar com várias mudanças diariamente.

Se pensarmos que os departamentos de TI são adaptados para lidar as atualizações exigidas pelos estáticos sistemas de registro, é fácil concluir que são incapazes de responder às exigências dos outros dois, que são, exatamente, os que demandam novas abordagens com mais recorrência. Tudo precisa acontecer muito mais rápido, e isso inclui o tempo gasto do desenvolvimento à implantação. A questão é: como?

Crie uma cultura colaborativa

A metodologia Agile estimula essa interação, integrando programação e testes. Agora precisamos estender isso para as equipes de operações. Existem três caminhos que descrevem os valores e filosofias que guiam processos e práticas de DevOps (termo para Desenvolvedor e Operações, metodologia de desenvolvimento de software que explora a comunicação, colaboração e integração entre desenvolvedores de programas e profissionais de TI):

1. O primeiro caminho envolve o fluxo de trabalho em blocos, passando do desenvolvimento a operações de TI, e está focado em reduzir desperdícios no processo. Para maximizar os fluxos, é necessário produzir em pequenos lotes com intervalos – e defeitos nunca podem ser passados para frente. Isso demanda desenvolvimento, integração e implantação contínuas. É aqui que entram automação e o conceito de Lean, para redução de perdas no desenvolvimento.

2. O segundo caminho abrange o feedback rápido em todas as fases da cadeia, evitando que problemas aconteçam novamente ou permitindo sua rápida detecção e recuperação. Aqui o sistema Kanban, uso de sinalizações na linha de produção para controlar o fluxo, desempenha um papel importante. É preciso parar o processo quando algo falha e se concentrar na correção do problema antes de reiniciar as atividades.

3. O terceiro caminho implica a criação de uma cultura de fomento à experimentação contínua, o que exige assumir riscos e aprender com o sucesso e fracasso, entendendo que a repetição e prática são os pré-requisitos para a maestria. Tudo gira em volta da melhoria contínua.

Todos as três vias estão interligadas. É importante repassar o ciclo de desenvolvimento atual e, a cada passo, perguntar se essa etapa é realmente necessária.

Automatizar e padronizar

Quantas vezes os desenvolvedores reinventam a roda, ou recriam algo em outro lugar na organização? Muitas. Parte do retrabalho se justifica pelo “não foi inventado aqui”, mas outra grande amostra está relacionado com a falta de saber o que existe no resto da empresa. A comunicação e governança devem ser claras para todos. Para isso, é importante definir normas e ter um comitê decidindo sobre a necessidade de criação de padrões. Se um desenvolvedor precisa de algo novo, recorre ao órgão de administração para explicar a necessidade. Esse processo normalmente elimina 90% das requisições. Também é possível automatizar a implantação e teste para os ciclos se tornarem mais curtos.

Todo esse processo requer uma mudança cultural, uma boa compreensão de todo o processo e colaboração entre as partes.

Sua empresa já possui uma cultura colaborativa para facilitar o processo de atualização das aplicações? Comente sua experiência!

Por: Christian Verstraete

Fonte: hp.itforum365.com.br

 

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